maio 17, 2004

em dias como este em que tenho sono....

É no ritmo biológico sono-vigília que se situa a fase paradoxal, na qual sonhamos com muita intensidade.

Todos temos capacidade de sonhar, pois o sonho é fundamental e constitui uma ligação e consequente manifestação do imaginário. O sonho corresponde à criação de uma realidade imaginária. Quando sonhamos sabemos que estamos a agir dentro do sonho, no entanto é muito difícil fazer a dissociação entre o real e o sonho, por isso aderimos totalmente a essa realidade, não controlando.

O imaginário determina positiva e negativamente todo o funcionamento psicossomático. É uma função que se actualiza por oposição ao real, numa sucessão de fenómenos que correspondem ao sonho e aos seus equivalente. Constitui-se através da relação e se há alguma vicissitude na relação pode haver um comprometimento das suas funções.

Quando sonhamos está sempre presente a vida vigíl (projecção da vida real do sujeito) e não há uma ruptura entre o psicológico e o biológico. Os afectos estão presentes no sonho, pelo que os sentimos e ficamos facilmente receptivos. Só aderimos à realidade imaginária do sonho porque existem sentimentos envolvidos, que nos vão ligar a essa realidade.

Na psicossomática, o sonho é um aspecto fundamental, uma vez que faz a ponte entre o biológico, o psicológico e o emocional, fundando-se no seu conteúdo. O sonho tem a sua génese no biológico porque se funda num ritmo biológico porque se funda num ritmo biológico (sonho/vigília) e tem um conteúdo psicológico que está relacionado com as vivências da pessoa no dia-a-dia e traz à superfície a subjectividade de cada indivíduo (experiências, traumas, aprendizagens).

Entre a consciência crítica e a consciência vigíl, há uma relação de inclusão recíprocas. Isto significa que se incluem uma à outra, pois o que sonhamos está relacionado com a nossa realidade e quando estamos vigies lembramo-nos do que sonhámos. Assim sendo, os sonhos também são mediatizados pela memória (apenas nos lembramos de fragmentos ou partes importantes do sonho).

A memória do sonho é condicionada pelo recalcamento. O recalcamento ou não de um sonho dertemina a relação do sujeito com o seu imaginário. No caso de existirem problemas na relação do funcionamento com o imaginário, o indivíduo não se recorda do sonho, uma vez que ele é completamente recalcado.

Para a psicossomática, a relação entre o funcionamento e o imaginário é muito importante, pois está directamente ligado à patologia. Na base da explicação de uma patologia está uma má relação entre a consciência vigíl e a onírica.

Publicado por il matto em 03:05 PM | Comentários (1) | TrackBack

maio 04, 2004

Patologia Orgânica

Na psicossomática e sua interpretação da patologia orgânica, há que considerar que para além de problemas de relação entre o funcionamento e o imaginário, existe sempre uma situação conflitual, isto é, na base da patologia orgânica está sempre o funcionamento e dá origem a um impasse (situação de saída).

É importante ter presente que o funcionamento depende da relação do sujeito com o imaginário, relação essa condicionada pelo recalcamento. Quando há patologia, há problemas no recalcamento e, por sua vez no funcionamento que originam a patologia: psicopatologia, patologia de adaptação e funcionamento misto.
A psicopatologia está relacionada com a psicossomática Freudiana.

Durante o seu desenvolvimento, a pessoa é sujeita a um conflito, que na altura não é resolvido, apesar de ser solúvel, e então é recalcado. Se o recalcamento não for eficaz, o conflito pode emergir parcialmente sob a forma de sintoma (histeria, neurótico, psicótico...) A maior parte dos sintomas são neuróticos. A psicose apensas se desenvolve se o conflito for irresolúvel (a pessoa tem uma fuga para o imaginário porque não existe solução para o seu conflito).

Quando esse insucesso do recalcamento acontece, uma vez que este tem uma função de corte entre o real e o imaginário. Quando há esse reatar, aquilo que emerge não é uma imagem mas sim um sintoma relacionado com a situação conflitual que deu origem ao recalcamento.

Na Patologia de Adoptação, a pessoa não tem acesso ao seu funcionamento onírico, pois perante uma situação conflitual há um recalcamento total da actividade onírica. Uma vez que não há actividade onírica, o funcionamento é afectado e surge uma patologia de adaptação, em que as pessoa vivem em conformidade com o real, uma vez que o aceso ao imaginário não existe. As pessoas com patologia de adaptação vivem consoante as regras do socialmente correcto, estão afectadas na sua capacidade imaginativa, de brincar, de afecto e sofrimento.

A adaptação não é sinal de carência do imaginário (este está presente, pois todos sonhamos, no entanto não há memória do sonho devido ao recalcamento.)

Se a situação conflitual ocorre na criança, esta terá dificuldade em estabelecer a sua própria organização, ritmos, não desenvolvendo o imaginário. No adulto, todas as capacidades do imaginário estão presentes, no entanto reprimidas pelo recalcamento.

Na Patologia da adaptação surgem patologias mais ligadas ao orgânico pois os indivíduos não são capazes de recorrer ao imaginário para as solucionar.

Pode ocorrer que o recalcamento não consiga apagar na integra o imaginário e então a pessoa sonha com o real sem o mínimo de modificação, sonha com algo que lhe dá prazer ou tem insónias coincidentes com a fase do sono paradoxal.

No funcionamento misto, há uma alternância entre psicopatologia e a patologia de adaptação diferença e actua em emergência para defender o organismo da diferença que o ameaça.

Quando não há alergia significa que o imaginário está a prevalecer sobre o real através dos três mecanismos atrás referidos.

Publicado por il matto em 07:41 PM | Comentários (0) | TrackBack