março 31, 2004

Relação de Ajuda em Enfermagem

A relação de ajuda em Enfermagem, é a meu ver antes de tudo, uma relação humana, o que consequentemente implica a conjugação de dois seres humanos totalmente diferentes, uma vez que cada pessoa representa um universo inimaginável e irrepetitível que se rege por sentimentos, percepções, pensamentos, emoções e necessidades. Deste modo, facilmente se compreende que o papel do enfermeiro na relação de ajuda com cada uma das pessoas com que se relaciona diariamente, será necessariamente, único uma vez que a própria relação de ajuda, se constrói a partir das necessidades específicas, de um utente específico.

Recordando a história da enfermagem, facilmente entendemos que as primeiras enfermeiras da história humana são as mães, pois são elas as primeiras cuidadoras, as primeiras pessoas a dar afecto, a estabelecer uma relação de mãe-filho com os novos seres, transmitindo com o seu toque, todo o significado do universo humano, a capacidade de oferecer amor, carinho e afecto. Assim tendo a Enfermagem, raízes tão marcantes, a Enfermagem actual, deve decididamente dar cada vez mais ênfase às suas origens, não esquecer o papel preponderante da relação de ajuda junto dos utentes, uma vez que o ser humano, é um ser social e numa situação em que se encontra num ambiente estranho muitas vezes debilitado, sentindo-se carente de afecto ou simplesmente procurando o apoio de um enfermeiro, esta pessoa não pretende a eficácia técnica dos serviços de saúde, esta pessoa espera ser escutada, sentir que lhe prestam a atenção devida, sentir que existe ali uma outra pessoa que a compreende e que lhe presta cuidados de saúde de excelência técnica e humana.

A sensibilidade para a percepção dos sentidos, é uma das características mais importantes que um enfermeiro deve possuir. A capacidade do profissional de enfermagem, para observar e identificar situações, eliminando preconceitos e juízos de valor, é alvo de uma constante evolução ao longo da sua vida, contudo, esta deverá ser uma condição sempre presente no exercício da sua profissão, uma vez que dela em grande parte depende o modo como se relaciona com o outro, o modo como utilizamos o nosso olhar, o nosso toque, como nos movimentamos, como gesticulamos e empregamos as potencialidades mímicas, as distâncias físicas de relação interpessoal, o modo como empregamos o silêncio quando necessário para escutar outra pessoa. A falta de conhecimento das potencialidades da relação de ajuda, e do modo como a desenvolver junto de cada utente, é algo incrivelmente importante, uma vez que poderá ser a razão para impedir ou mesmo distorcer toda a comunicação que é realizada junto de um utente, transformando a relação de ajuda em algo completamente oposto, criando dúvidas nos utentes e sentimentos de desconfiança e conflito.

O enfermeiro no desenvolvimento da relação de ajuda, deve tomar em consideração o tipo de comportamento social que emprega nas suas relações com os utentes, deste modo, a adopção de um comportamento assertivo, facilitará o estabelecimento de uma relação empática com os utentes, potencializando a interacção social, habilitando o enfermeiro a agir de forma tranquila, procurando satisfazer os seus objectivos na relação, sem ansiedades excessivas, expressando os seus sentimentos de forma honesta e adequada, fazendo valer os seus direitos, sem negar os direitos dos outros intervenientes na relação interpessoal. A interacção social desenvolve-se assim tendo como características a inexistência de receios desapropriados, harmonização entre o comportamento verbal e o não verbal, estabelecendo-se um padrão de linguagem fluente e o contacto visual firme, o que inevitavelmente favorece a dinâmica de relacionamento interpessoal, permitindo ao enfermeiro ser verdadeiramente congruente no seu discurso e atitudes.

Na actualidade, o utente cada vez mais sente necessidade de uma relação de ajuda, numa sociedade em que cada vez mais o papel das altas tecnologias, possui maior preponderância, muitos profissionais de saúde centram o seu modo de agir, na qualidade técnica dos seus serviços, esquecendo notoriamente, toda a parte humana dos cuidados de saúde. Assim devem os profissionais de Enfermagem e todos aqueles que ambicionam um dia o ser, não esquecer as raízes da Enfermagem, não esquecer que Enfermagem é a arte de cuidar do ser humano e que este se entende como uma dimensão única, com um legado pessoal inigualável, que o distingue de todas as outras pessoas. Os Enfermeiros do presente e do futuro devem ser deste modo profissionais de alta competência técnica, com elevados conhecimentos científicos e que saibam estabelecer a ponte com a humanização dos seus cuidados, através da potencialização da relação de ajuda em enfermagem.

Por tudo isto, creio que ser Enfermeiro, não se trata de uma escolha profissional, trata-se sim de um estilo de vida, de uma apetência e de um gosto em cuidar de pessoas e promover a sua saúde. Só assim seremos verdadeiros Enfermeiros.

Publicado por il matto em 11:14 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 29, 2004

projecto de caloiro presta atenção!!

Para os aspirantes a futuros caloiros do Curso de Licenciatura em Enfermagem, está na altura de realizar os pré-requesitos numa Escola Superior de Enfermagem perto de ti....
O Site da ESE Artur Ravara, possuí por lá em formato .pdf informações simples sobre os pré-requisitos, se não vejam aqui!
Relembro que para concorrer ao Curso de Licenciatura em Enfermagem, é necessário este pré-requisito, que poderá ser realizado em qualquer Escola Superior de Enfermagem.

Até OUTUBRO!!!!

Publicado por il matto em 11:21 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 27, 2004

normas de elaboração de trabalhos

Para quem sente dificuldades na elaboração correcta de trabalhos académicos, aqui fica a sugestão de ler o Guia para Elaboração de Trabalhos Escritos, um trabalho realizado por Maria do Céu Policarpo Vidigal e Maria Lucília Furtado Martins, da ESE S. Francisco das Misericórdias.

Publicado por il matto em 09:59 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 26, 2004

ARTIGO 89º - DA HUMANIZAÇÃO DOS CUIDADOS

o seguinte texto relata o Artigo 89º do código deontológico do enfermeiro, excerto de um livrinho de 187 páginas, cuja leitura tanta falta faz a muitos caríssimos colegas por aí espalhados...

in Código Deontológico do Enfermeiro: anotações e comentários, Ordem dos Enfermeiros, 2003, s/ ISBN

O enfermeiro, sendo responsável pela humanização dos cuidados de enfermagem, assume o dever de:

a) dar, quando presta cuidados, atenção à pessoa como uma totalidade única, inserida numa família e numa comunidade;

b) contribuir para criar o ambiente propício ao desenvolvimento das potencialidades da pessoa.


COMENTÁRIO

Humanizar pode ser interpretado como "tomar mais humano", no contexto dos actos profissionais que ligam as pessoas - ao caso, entre enfermeiro e cliente / família. E, aqui, entende-se por família os conviventes significativos, além dos laços de parentesco.

Atender com cortesia e benevolência, acolher com simpatia, compreender e respeitar, promover o estabelecimento de uma relação de ajuda são expressões que se podem derivar da responsabilidade do enfermeiro "pela humanização dos cuidados".

Na alínea a), "dar, quando presta cuidados, atenção à pessoa como uma totalidade única, inserida numa família e numa comunidade", encontramos duas "questões": quando "presta cuidados", dá "atenção à pessoa como.".

Os cuidados, no sentido profissional, são entendidos como "comportamentos cognitivos e culturalmente aprendidos, técnicas, processos ou padrões que capacitam ou ajudam o indivíduo, família ou comunidade a melhorar ou manter uma condição ou estilo de vida saudável".

Retomando a questão da universalidade do cuidar ou do cuidado, já abordado no Artigo 80°, quer seja em relação a uma doença, a uma deficiência ou a uma dificuldade, é necessário precisar a natureza dos problemas encontrados, em termos de funcionalidade e sentido. A saber, funcionalidade, enquanto capacidade de uma pessoa agir por si própria, que se vê em termos do poder parcial ou total de fazer alguma coisa, mas também do saber fazer - por isso falamos do que a pessoa pode fazer sozinha, do que pode fazer com ajuda ou do que já não pode fazer... Mas como a funcionalidade não é tudo, há que ter em conta o sentido, o impacto ou a ressonância que cada pessoa sente numa determinada situação.

E existem limites aos cuidados - porque os cuidados precisam de fazer sentido para quem os presta e para aquele a quem são prestados, e há que orientar o sentido, a razão de ser, a oportunidade desses cuidados. Se quisermos, os cuidados só ganham sentido e têm valor se tiverem em conta a pessoa "como uma totalidade única, inserida numa família e numa comunidade", clarificando o que tem sentido ou contribui para dar sentido à sua vida.

Daqui se clarifica o dever do enfermeiro, expresso na alínea b), de "contribuir para criar o ambiente propício ao desenvolvimento das potencialidades da pessoa".

O centro da acção do enfermeiro é a Pessoa, sendo a relação o seu principal instrumento. Assim, humanizar converge para a qualidade do atendimento global ao cliente / família.

Tendo em conta os Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem (Ordem dos Enfermeiros, 2001), os cuidados de enfermagem tomam por foco de atenção a promoção dos projectos de saúde que cada pessoa vive e persegue. O exercício profissional dos enfermeiros centra-se na relação interpessoal. E cada pessoa é concebida como um ser social e agente intencional de comportamentos, baseados nos valores, crenças e desejos de natureza individual, o que toma a pessoa um ser único, com dignidade própria e com direito a autodeterminar-se. Cada pessoa é um projecto de saúde.


Cada ser humano, pelo facto de ser parte integrante da nossa espécie biológica, possui uma dignidade própria que impede a sua utilização com outra finalidade que não seja a da promoção da respectiva realização pessoal. (51). Deve-se respeitar toda a pessoa pelo "simples" facto de o ser. Mas, mais do que isto, contribuir para criar um ambiente propício ao desenvolvimento das potencialidades.

Em todos os actos, o desempenho dos enfermeiros realiza-se "para" e "pela_' Pessoa - partindo do estar com o cliente / família. Assim, os enfermeiros substituem, ajudam e complementam as competências funcionais das pessoas em situação de dependência, na realização das actividades de vida. Os enfermeiros orientam, supervisionam e, lideram os processos de adaptação individual, o autocuidado, os processos de luto, os processos de aquisição e mudança de comportamentos para a aquisição de estilos de vida saudáveis. Nesta perspectiva, os enfermeiros orientam a sua intervenção mais para a saúde e para "contribuir para criar o ambiente propício ao desenvolvimento das potencialidades da pessoa".

A humanização de qualquer actividade parte de cada pessoa e de cada grupo de pessoas que trabalham em conjunto, tendo presente a regra de ouro, "não faças aos outros o que não queres que te façam a ti". E esta regra só é aplicável na sua forma negativa - atendendo a que o desenvolvimento humano da prestação faz ultrapassar a ideia de "cuido como gostaria de ser cuidado" para a máxima ética "cuido como a pessoa gosta ou quer ser cuidada".

in Código Deontológico do Enfermeiro: anotações e comentários, Ordem dos Enfermeiros, 2003, s/ ISBN

Publicado por il matto em 05:57 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 16, 2004

ecsai

hoje fui ao serviço de apoio a dependentes da instituição onde realizei o ensino clínico de enfermagem de cuidados de saúde ao adulto e idoso...
foi estranho percorrer os dois corredores com 140 camas... fica aquela sensação de que sinto falta de ali estar... porque quem lá está sente falta de toda a turma... e foi com muita alegria e algumas lágrimas que nos acolheram hoje... e a eterna questão... "Senhores Enfermeiros quando é que voltam para cá...?"

tenho saudades...

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março 15, 2004

a propósito

a propósito deste post do "com pinga de sangue"

A minha experiência, não só como aluno, mas também como dirigente de uma Associação Académica de Estudantes de Enfermagem permite-me uma visão um pouco mais aprofundada de como em tudo na vida, a tendência para as generalizações é devastadora, promiscua e injusta. Quero com isto dizer apenas que existem escolas... e escolas... Alunos e.... alunos...

Se por um lado existem Escolas Superior de Enfermagem do ensino particular bem mais antigas que muitas das ESE’s públicas, existem ESE’s quer particulares quer públicas que ainda possuem planos curriculares desajustados e que não cumprem os objectivos definidos pela Ordem dos Enfermeiros.

Tal afirmação de que os profissionais formados em instituições particulares, possam possuir uma qualidade alvo de discussão, é quanto a mim uma simples barbaridade e de quem não está a par da realidade vivida nas ESE’s... porque falhas na formação existem sim, mas não se limitam ao particular, são uma realidade nas duas vertentes de instituição e não deixam em boas mãos as ESE’s públicas.

Para dar um simples exemplo, actualmente duas das ESE’s mais conceituadas dentro da Ordem, Instituições de Saúde e profissionais que entram em contacto com os formandos destas Instituições, são as históricas ESE’s Lisboetas S. Vicente Paulo e S. Francisco das Misericórdias (ex. Franciscanas Missionárias de Maria, actualmente propriedade da União das Misericórdias Portuguesas), defensoras inequívocas dos princípios de humanização dos cuidados de enfermagem, pelo seu passado e presente ligado aos princípios do Cristianismo.

Se por um lado actualmente existe uma falta de profissionais em enfermagem, daqui a menos de uma época, irá se assistir a um excedente para o número de vagas que os serviços suportam, dado que falta de meios humanos existirá sempre, o que resulta cada vez mais, não na importância da média final de curso, mas sim na Escola Superior de Enfermagem que formou um dado profissional.

Para uma ESE’s, de uma instituição particular sobreviver, apenas pode apostar na qualidade do seu ensino, na excelência dos seus alunos e no reconhecimento no meio.

Dado o Curso de Licenciatura em Enfermagem, ser actualmente um dos Cursos Superiores com maiores custos por aluno, creio que em breve as ESE’s cujos fins sejam lucrativos, terão os seus dias contados, creio até que muitas ESE’s públicas iram fechar portas, permanecendo as Instituições Particulares e Públicas de Qualidade Superior, o que irá permitir um maior apoio aos estudantes do ensino particular, que muitas vezes não entram no ensino público por causa de uma ridícula forma de aferição, que não tem em conta as aptidões do aluno para o curso a que se candidata, o que resulta em alunos de grande média de secundário que na prática, desiludidos por não conseguirem entrar em medicina, recorrem a enfermagem, quando são duas realidades completamente diferentes.

Curioso é ainda referir que assiste-se já a um fenómeno de escolha preferencial pelo particular, mesmo tendo vaga numa ESE’s pública, exactamente pela qualidade superior de ensino em certas Instituições de ensino particular.

Gostava ainda de realizar referência para o facto das escolas acima referidas, possuem um orçamento muito limitado, sem margens de lucro, como muita vez é especulado e ainda que se os alunos do público recebem subsídios de alimentação por parte do estado, durante o ensino clínico, no particular a realidade é bem diferente.

A partir de agora, o meu único concelho para os novos alunos, futuros profissionais é um só... escolham bem a escola que pretendem frequentar, seja ela particular ou pública.

Publicado por il matto em 05:24 PM | Comentários (1) | TrackBack

março 10, 2004

imagens que falam por si

Publicado por il matto em 04:28 PM | Comentários (0) | TrackBack

março 05, 2004

escolhas

À uns anos atrás, quando estava no meu último ano no ensino secundário, uma apendicite, atirou-me de urgência para o hospital distrital da minha santa terrinha, lembro-me que na altura ainda passei 5 dias internado, o que na altura provocou um impacto decisivo em mim, se até lá estava indeciso sobre o que fazer no final do ano, os dias que lá passei, tudo o que vi, os outros utentes com quem falava todos os dias e sobretudo a equipa de enfermagem fizeram-me ver que era realmente isto que eu queria, que era todo este universo de relação humana que eu pretendia desenvolver não meramente como actividade profissional, mas principalmente como um desígnio humano para uma vida, porque afinal de contas a enfermagem é feita de “pessoas que cuidam outras pessoas”.

Contudo a principal razão pela qual escolhi a enfermagem, deve-se à convivência que tive na minha própria casa durante 5 anos, com a evolução da doença de Alzheimer da minha avó. Sentimo-nos impotentes a cada dia que passa e simplesmente dói, dói imenso, apenas podemos amar e darmo-nos ao máximo, lutar para manter a família unida, porque o choque é intenso e facilmente tudo pode entrar em desequilibro.

Imensas foram as vezes que vi a minha mãe fechada no quarto a chorar, a entrar em histeria porque a sua mãe de hora a hora acordava, ou passava a noite a remexer em papeis na gaveta, ou fugia em camisa de dormir pela porta da rua... quando não era possível suportar mais, apenas restou a solução (maldita) de a institucionalizar num lar de idosos, com as condições que achámos imprescindíveis e todos os dias me lembro de alguém a ir visitar, e por uns meses a minha avó melhorou, cheguei a levá-la de carro a ver o mar por várias vezes... chegámos a pensar voltar a tê-la em casa, até que um AVC, a atirou para o infernal hospital, e por uma semana permaneceu num corredor do hospital, com umas cortinas a improvisar unidades individuais, por uma semana a minha avó esteve inconsciente numa maca, junto de uma porta de serviço, que o pessoal amavelmente utilizava como escape para ir fumar o seu cigarrinho a meio do turno, junto da passagem das macas para os “raios-x”... numa semana a minha avó, que entrara no hospital vítima de AVC, apanhou uma pneumonite e uma infecção urinária, considerada uma vida sem rumo, permaneceu num corredor, sendo dada à família todos os dias a esperança de que “amanhã ela estará numa enfermaria”... já para não falar no nobre incentivo à entrada no hospital, em que uma senhora doutora, teve a nobreza de perguntar à minha mãe: “olhe lá... porque a trouxe para cá?!”... humanismo meus senhores é só o que eu vos peço!!!!!

A minha avó morreu no dia em que soube que entrava no curso de licenciatura em enfermagem, senti uma raiva imensa de toda aquela gente, e prometi que não seria como eles... porque de maus cuidados estamos todos fartos... e é por isso que apelo aos senhores profissionais... nunca deixem de ser humanos, nunca deixem de ser ENFERMEIROS! Porque a enfermagem é para as pessoas...

Esta semana fui dar sangue no banco de sangue de um hospital civil de Lisboa, e tive a oportunidade de assistir a uma cena sem palavras, uma senhora auxiliar de limpeza do serviço, amavelmente, brincando com a enfermeira do serviço, tirou o penso rápido da mão desta e disse “a este rapaz sou eu que ponho o penso”, ao mesmo tempo que largava o saco preto do lixo, pegou no penso e alegremente colocou sobre o “buraquinho da picadinha da veiazinha do bracinho do rapazinho” como ela própria cantarolou...

INFECÇÃO HOSPITALAR diz-vos alguma coisa????
A mim ajudou a levar a minha avó a partir mais cedo deste mundo!

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março 03, 2004

um benvindo e um adeus

Há já uns bons dias que venho a ensaiar mentalmente este post... após ter passado meio dia a tentar o escrever, um jantar de aniversário de uma colega de faculdade e meia garrafa de vinho branco depois, ao som de um cd carregado de magia e recordações (sp – adore) parece que é desta...

Aparentemente à partida este poderia ser apenas “só mais um falso post de despedida de um pseudo blogger frustrado”, embora não seja o fim do ilmatto.weblog.com.pt, a verdade é que para mim algo se vai perder aqui... ou talvez não...

Quando no dia 6 de Agosto de 2003, por mero acaso fui parar a uma dimensão entre o sonho e um lugar de verdade, e dei de caras com os senhores e senhoras que “salvaram o mundo”, um flash de recordações dos meus tempos de criança, em discussões com a minha prima mais nova, tomou conta de mim... tudo por culpa dela... essa mãe desnaturada que abandona os seus filhos pinguinescos à nascença... foi assim que após algumas experiências no blogspot decidi dar luz ao ilmatto... tudo porque um dia uma amiga, não sei se posso ousar a chamar assim... mas é alguém especial, me enviou por carta o Il Matto – O Louco, carta de tarot, o que provocou um enorme sorriso... sabendo que ela é uma consultora de vidas alheias pelos blogs, achei que um dia o acaso a traria até aqui e assim foi!

Existem mil e um tipos de blogs, porque afinal somos todos diferentes, possuímos uma carga genética que nos define, possuímos todo um passado de experiências e acumulação de saberes que nos dá uma personalidade e nos distingue como pessoas únicas e irrepetitíveis, pelo que idealizei o “ilmatto”, como sendo parte de mim, gosto dos “huhuhuhuhu’s”, sonho com o pinguim da páscoa, gosto de partilhar estas pequenas insanidades que fazem de mim o que sou, tento ser o mais verdadeiro possível, porque é assim que eu quero este “ilmatto”, porque no dia em que achar que nada disto faz sentido simplesmente deixo de escrever...

O motivo deste post é simples... uma das partes que até agora fazia parte deste blog eram opiniões pessoais, sobre a minha vida enquanto estudante de enfermagem, contudo à já alguns meses que vinha a idealizar um weblog, simplesmente dedicado a isso mesmo, à enfermagem. Se até agora andava só por aí a dar opinadelas sobre a enfermagem em Portugal, sem dar conta, dou de caras com uma comunidade que parece estar a crescer, de senhores e senhoras JÁ enfermeiros e que descobrem em bom tempo, as potencialidades da divulgação e promoção de uma melhor enfermagem em Portugal, perante a sociedade que continuamente possui uma imagem distorcida do papel vital do enfermeiro na mesma.

Por esta razão, acredito também eu no papel de uma comunidade de blogs de enfermagem seja algo não só importante para a troca de saberes, experiências e opiniões entre enfermeiros, estudantes e ex-enfermeiros, mas também para uma aproximação dos profissionais à sociedade, para que esta veja de alguma forma, aquilo que vai em nós, quais os nossos dilemas, que experiências de vida podemos transmitir, que opiniões temos... Assim vejo-me na obrigação de diferenciar o Ilmatto de tal comunidade, porque se até agora tenho expressado opiniões na categoria enfermaticando, ao dar o meu apoio a esta comunidade, nunca o poderei fazer sobre o papel do Ilmatto , pois este blog não pretende ser o tal instrumento de aproximação à sociedade que se pretende, este é simplesmente só mais um blog com parvoíces, insanidades e opiniões sinceras e pessoais, um espelho do que sou enquanto pessoa e não como estudante de enfermagem, porque são duas coisas diferentes e infelizmente a sociedade não consegue diferenciar as duas realidades quando as misturo.

Com este palavreado todo... apenas quero dizer ao mundo que o ilmatto, quase oito meses depois e cerca de 20500 visitantes depois, perde assim a categoria enfermaticando, e vê nascer um blog filho... o enfermaticando.weblog.com.pt... porquê enfermaticando?... quando criei a categoria, inspirei-me no velho manual do 5 e 6º ano de matemática, o matematicando... (traumas de infância...) e assim nascem os meus exercícios de enfermagem...

O enfermaticando pretende assim ser um blog igual ao que sempre foi, enquanto categoria, contudo isolado de todas as insanidades do ilmatto e com o acréscimo de agora se associar ao que se pretende uma comunidade de blogs de enfermagem...

Não sei com que frequência vou escrever... isso são voos mais altos... o método irá ser sempre o mesmo... nada se irá perder... apenas ganhar...

É com dificuldade que aceito a separação do ilmatto, mas é por uma boa causa...

Publicado por il matto em 01:01 AM | Comentários (3) | TrackBack